Quando chegou ao Brasil, o técnico Ancelotti foi recebido com festas e envolto em grande expectativa de que seria, enfim, a salvação e levaria nossa seleção ao hexa.
A princípio, com um discurso firme, equilibrado, parecendo que era realmente independente e imune a influências externas, convenceu.
Mas o tempo se encarregou de mostrar que as coisas não seriam bem assim. Começou a se dobrar a determinadas exigências que, evidentemente, não confessa, mas que eu, por exemplo, já desconfiava.
A coisa degringolou a partir do lobby feito por patrocinadores, setores da imprensa e alguns fanáticos, ignorantes em futebol (estes, nas redes sociais), para que houvesse a convocação de Neymar.
Vejamos algumas incoerências dele:
Há algum tempo, disse que não tinha esquema definido de jogo, que isso dependeria do adversário e foi categórico ao afirmar que só iriam para a Copa jogadores que estivessem em ótimas condições físicas para atuar em todas as partidas. Sendo que, em relação a Neymar, foi mais categórico ainda: só o levaria ele estivesse em plena forma e, sobretudo, fisicamente bem.
Ora, antes da convocação final, o jogador do Santos faltou a vários jogos do time em que atua, sob as mais absurdas desculpas; entre elas, o uso de gramado artificial. Contundiu-se algumas vezes e voltou a sentir a lesão da panturrilha, às vésperas da convocação final.
Mesmo assim, foi convocado, e a seleção – pasmem! – vai esperar a recuperação dele; sendo que pode até nem atuar nas duas primeiras partidas.
Isso não só é lamentável, como também absurdo!
Ora, sempre foi regra intransigente na seleção brasileira o corte para qualquer jogador que se contundisse próximo da convocação final; ou mesmo depois dela. Há jogadores que foram cortados já estando lá, na preparação para o mundial.
Mas com o “menino” Ney, tudo é diferente. Espera-se por um milagre que não existirá. Neymar, nas copas em que atuou, jogou pouquíssimas partidas, fez poucos gols e se contundiu em todas elas (as copas). Por que isso não iria acontecer agora?
A essas alturas, fica mais do que improvável revivermos a alegria retratada na marchinha “A Taça do Mundo é Nossa”, de Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô, cantada pelo excelente conjunto “Titulares do Ritmo”.
Não tenho bola de cristal, mas não precisa ter: o Brasil, muito provavelmente, não será hexa. Quem viver verá!