terça-feira, 31 de março de 2026

As ordens religiosas que aportaram na cidade, em seus primeiros tempos. Da série João Pessoa e seus fundamentos.

31, março, 2026

Sérgio Botelho* – Após o acordo de paz de 5 de agosto de 1585 e o início da edificação dos primeiros prédios e ruas, em 4 de novembro daquele ano, a Cidade Real de Nossa Senhora das Neves testemunhou a chegada das ordens religiosas.

Os primeiros missionários a atuar na Paraíba foram os jesuítas, responsáveis pela construção de um conjunto arquitetônico, na atual Praça João Pessoa. Ali ergueram um convento, uma igreja e um seminário. Hoje, o conjunto está reduzido aos prédios do Museu da História da Paraíba e da ex-Faculdade de Direito.

A igreja jesuítica, inicialmente dedicada a São Gonçalo e depois a Nossa Senhora da Conceição, acabou derrubada no final da década de 1920. O espaço é atualmente ocupado pelo jardim do Museu da História da Paraíba.

Logo depois desembarcaram os franciscanos, responsáveis pela construção do Seminário e da Igreja, ambos dedicados a Santo Antônio. O conjunto é hoje chamado de Centro Cultural São Francisco, considerado em 1929, por Mário de Andrade, como o mais belo e original de todo o Nordeste.

Os Carmelitas chegaram por volta de 1591. Das construções primitivas, restam a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Capela de Santa Tereza D’Ávila, da Ordem Terceira do Carmo, além da Casa de Oração. O convento foi transformado em Palácio Episcopal. Tudo isso na Praça Dom Adauto. Em Lucena, a Igreja de Nossa Senhora da Guia é obra carmelita.

Quanto aos beneditinos, a cronologia histórica aponta a fixação da ordem em 1599. O mosteiro de São Bento e a Igreja de Nossa Senhora de Montserrat são obras beneditinas, na atual rua General Osório.
Já os Irmãos da Santa Casa da Misericórdia aparecem muito cedo na história urbana da cidade. Há registro de existência da Igreja da Misericórdia, que fica na atual rua Duque de Caxias, no final do Século XVI.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
https://paraondeir.blog/as-ordens-religiosas/
(Na imagem, o conjunto Carmelita)