quinta-feira, 3 de abril de 2025

As ruas de pedra no Centro de João Pessoa

14, fevereiro, 2025

Quem gosta de caminhar pelas ruas do Centro Histórico de João Pessoa certamente já percebeu que grande parte da pavimentação em pedras reapareceu com o derretimento do asfalto. Cito como exemplos a Duque de Caxias, a General Osório, a Ladeira Feliciano Coelho, a Ladeira da Borborema e a Rua da Areia, embora haja mais.

Para a história da cidade, e mesmo para a comodidade urbana, isso não parece mau. Não se trata só de nostalgia ou de um desejo de resgatar a estética antiga da cidade, mas também de uma discussão sobre funcionalidade, sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas. No Brasil, o recobrimento das ruas de pedra com asfalto foi feito sob a premência estabelecida em favor da modernização e da mobilidade veicular, que também fez desaparecer os bondes e os seus trilhos.

Obedecia à lógica do surgimento de veículos cada vez mais velozes e pesados, onde o asfalto leva vantagem em função da sua capacidade de permitir melhor aderência dos pneus e melhor rolamento, aliado a uma aplicação que implica em menos tempo e mais paciência e arte na execução. Contudo, as pedras, sejam irregulares ou paralelepípedos, oferecem vantagens concretas, segundo especialistas: drenam melhor a água da chuva; reduzem a absorção de calor; e são mais duráveis do que o asfalto, que se desgasta rapidamente com o tráfego e as variações climáticas.

O derretimento do asfalto na cidade claramente revela uma falha estrutural desse material diante das temperaturas elevadas e do excesso de água. Assim, há um argumento forte para que o recapeamento não seja feito indiscriminadamente, permitindo que as pedras reassumam sua função original.

Algumas cidades históricas no Brasil estão discutindo o tema, valorizando a pavimentação histórica não apenas como um patrimônio visual, mas como um elemento prático e eficiente. João Pessoa poderia seguir essa tendência, não somente para preservar sua forte identidade histórica, mas para assegurar uma infraestrutura urbana mais sustentável.

A foto é da esquina da Rua General Osório (paralelepípedos) com a Ladeira Feliciano Coelho (pedras mais irregulares).