Agradei-me menos do que esperava com a minissérie da Netflix. Achei que exageraram na criatividade. Claro que é legítimo que haja criatividade numa série; não se tratava de um documentário.
Mas há uma coisa chamada verossimilhança, que é preciso ser respeitada.
O que é verossimilhança? É a aparência de verdade, numa obra de ficção. Evidentemente não se espera da ficção que mostre a verdade; mas ela tem obrigação de ter aparência de.
Não é, por exemplo, verossímil que Saldanha tenha ido tantas vezes ao treino do escrete discutir com Zagalo. Poderia ir lá sim, com jornalista, porque cobriu a copa como comentarista de Rádio. Mas ir lá tantas vezes, chamar Zagalo, ficar admoestando e dando “pitaco” não era feitio de Saldanha.
E por falar em Saldanha, houve um excesso de cigarro nas cenas. Não há um take sequer em que Saldanha (interpretado magistralmente por Rodrigo Santoro) não esteja tragando um cigarro. Não sou fumante, mas meu irmão mais velho – que aliás também era comentarista de futebol e técnico – era, e, por mais viciado que o cara seja, ele dá um espaço entre um cigarro e outro, coisa que o Saldanha do filme não fez.
Zagalo também foi muito bem representado por Bruno Mazzeo. Só acho que ficou meio exagerada aquela devoção dele por Santo Antônio.
E Pelé? Nunca vi um Pelé tão angustiado!… Hora alguma estava em paz, lembrando o fracasso da copa de 1950. Dramatizaram em excesso o drama daquela histórica derrota, o trauma, e o excesso de crendice em azares.
As cenas com o “fantasma” de Barbosa aparecendo a toda hora para Leão são patéticas.
Mas, no geral, a série foi satisfatória. As cenas das partidas foram perfeitamente reconstituídas e os atores – como disse um deles na apresentação dos bastidores, após o final – treinaram pesado. Aliás, os atores eram todos muito bons. E o Pelé? O cara além de ser um verdadeiro sósia do “rei” teve uma atuação exímia.
Quem ainda não assistiu, se a minissérie ainda estiver disponível, assista! Vai valer a pena…