Sérgio Botelho – A ligação de Cabedelo com a atual cidade de João Pessoa é muito seminal. Por conta da imponente foz do rio Paraíba, a região servia de porta de entrada para a nova Cidade Real de Nossa Senhora das Neves.
Nessa condição, acabou sendo objeto chave das preocupações dos colonizadores portugueses e alvo privilegiado das ações de defesa empreendidas por eles.
Entre essas primeiras obras de defesa da capitania, já conquistada, onde se destacam o Forte de Santo Antônio, no lado oposto do rio, e o Forte do Varadouro, na cidade, está a Fortaleza de Santa Catarina.
Com o passar do tempo, Cabedelo ampliou sua função. frente ao declínio das condições do antigo Porto do Capim, na capital, o que reforçava a ideia de um porto moderno na enseada.
Durante o Império, precisamente em 1864, o engenheiro André Rebouças, estreitamente ligado a Dom Pedro II, visitou a Paraíba, como relata o historiador Flávio Ramalho de Brito, em O primeiro engenheiro negro do Brasil e a Paraíba, no Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Na ocasião, frente às péssimas condições do Porto do Capim e ao perigo de a província ficar sem porto, Rebouças acabou submetendo à Assembleia Provincial o projeto “Creação de um porto de commercio transatlantico no Cabedello”.
Porém, os primeiros passos concretos em favor do porto somente ocorreram com uma dragagem iniciada em 1893, já na República. Após paralisações e retomadas, o Porto de Cabedelo foi inaugurado em 23 de janeiro de 1935.
Também no plano administrativo a ligação entre João Pessoa e Cabedelo foi longa e estreita. Cabedelo pertenceu ao município da capital, tornou-se vila e município em 1908, perdeu a autonomia em 1928.
Em 1933, voltou a ser distrito de João Pessoa e só recuperou em definitivo sua emancipação em 1956. Sua história, portanto, desde os primórdios, se confunde com a própria formação, defesa e expansão da capital paraibana.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
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