terça-feira, 5 de maio de 2026

Cruz do Peixe

4, maio, 2026


Sérgio Botelho* – Identificar a área onde fica a Usina Cultural Energisa como de Cruz do Peixe ainda guarda atualidade na minha mente. Afinal, assim era chamado por meus pais e o povo adulto de então, permanecendo no meu mapa mental urbano de João Pessoa. Até por volta dos meus dez anos, no final da década de 1950, ali funcionava a garagem dos populares bondes elétricos.Mas, por que aquela região da cidade, onde foram construídas a Praça Caldas Brandão e equipamentos da Santa Casa da Misericórdia, era chamada de Cruz do Peixe? Para saber disso, a gente tem de recuar ao tempo em que o espaço entre a área já urbanizada da cidade da Parahyba (atual João Pessoa) e o litoral era todo ocupado por sítios e fazendas. Ali ficava o sítio Cruz do Peixe.

Aquele ponto representava uma espécie de marco a que chegavam, de um lado, os da cidade e, do outro, os pescadores de Tambaú, estes últimos, após dura travessia por rios e matas, com seus pescados à venda. A Cruz do Peixe recebeu esse nome exatamente por situar-se nesse local, onde se cruzavam os caminhos usados por pescadores e atravessadores.

Ainda na primeira metade do Século XX, a região terminou alcançado significativa relevância urbana. Notícia de A União de sábado, 17 de agosto de 1940, refere-se a uma visita do então interventor Rui Carneiro, empossado no dia anterior, ao “bairro” de Cruz do Peixe, com concentração na Praça Tiradentes (hoje, Torre), “com a iluminação reforçada e as ruas caprichosamente ornamentadas”, o que revela a extensão do logradouro.

A título de informação complementar, no mesmo ano de 1940, em 19 de novembro, relatório da Diretoria do Patrimônio do Estado, publicado naquele dia em A União, mapeava toda a área do antigo Sítio Cruz do Peixe (não o bairro), junto com a da Fonte do Tambiá, como propriedade do Estado.


*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
https://paraondeir.blog/cruz-do-peixebairro/