Sérgio Botelho – Abro um hiato na série João Pessoa e seus fundamentos para reverenciar uma das figuras mais emblemáticas da historiografia e da vida intelectual paraibana, Deusdedit de Vasconcelos Leitão.
Inicio com a notícia do Jornal da Paraíba de 1º de abril de 2010, que noticiou a morte do homenageado. Sobre a data, consultei também seu filho, Rui Leitão, integrante do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e da Academia Paraibana de Letras, assim como foi o pai. É que existem divergências nas biografias quanto ao falecimento, frequentemente registrado como 30 de março.
Nascido em Cajazeiras, em 7 de maio de 1921, Deusdedit manteve presença constante na vida cultural do estado. Afora o IHGP e a APL, destacou-se no Conselho Estadual de Cultura da Paraíba, consolidando-se como referência nos estudos históricos locais.
Sua formação intelectual ocorreu na cidade natal, onde estudou no Colégio Padre Rolim e no Instituto São Luiz. O trabalho no cartório do pai contribuiu para o domínio de fontes documentais, habilidade que marcaria sua atuação como pesquisador.
Colaborou com jornais como Correio do Sertão e O Observador, além de atuar como correspondente de veículos como Correio da Paraíba, Diário da Borborema e Diário de Pernambuco. Participou ainda do programa A Voz do Município, da Rádio Borborema, e fundou o jornal O Lábaro no ambiente da Escola Técnica.
Após sua morte, o legado ganhou novo fôlego. A família doou seu acervo, hoje preservado pela UFCG no Núcleo de Documentação Histórica Deusdedit Leitão, em Cajazeiras, reunindo livros, jornais e documentos. Projetos do IHGP avançam na higienização, digitalização e organização de materiais também guardados na Fundação Casa de José Américo.
Seu nome permanece como referência indispensável para compreender a memória e a formação cultural da Paraíba.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor https://paraondeir.blog/deusdedit-de-vasconcelos-leitao/