Felice de Belli, dono da primeira salina do estado
25, maio, 2026
Sérgio Botelho – A tarefa de pesquisar edições de jornais e documentos antigos nos reserva chances de encontrar figuras esquecidas dos registros memoriais do estado. Por isso, decidi iniciar uma série que chamo de 𝗩𝘂𝗹𝘁𝗼𝘀 𝗘𝘀𝗾𝘂𝗲𝗰𝗶𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗣𝗮𝗿𝗮𝗵𝘆𝗯𝗮.
Começo por um italiano de nome Felice de Belli, que hoje nomeia rua no bairro Costa e Silva, na capital, o que significa pouco para sua memória, já que não temos o costume de contar as histórias daqueles que nomeiam nossos logradouros, nem mesmo para os que neles vivem.
Encontrei seu nome na edição de 30 de março de 1889, entre os agentes consulares que atuavam na Parahyba, no caso, como regente da Real Agência Consular de Itália. Portanto, ele chegou à capital paraibana ainda no regime Imperial, nos anos 1880.
De acordo com o escritor recifense, e bisneto de Felice, Moisés Neto (que mantém o site A Família Belli, na Internet), seu bisavô veio para a capital paraibana trabalhar com vendas “e enriqueceu a custo de muito trabalho”.
Nota publicada em A União, de 15 de junho de 1898, informa que o proprietário da Salina Parahybana, Felix de Belli (nome pelo qual também passou a ser conhecido na cidade), havia inaugurado depósito de sal à rua da Gameleira, no entorno da atual Praça Álvaro Machado.
Segundo a dissertação de Mestrado em Antropologia da UFPB, Povo da Ilha, defendida em 1927, pela então mestranda Patrícia Assad, a atual Ilha do Eixo, no estuário do rio Paraíba, já pertenceu a Felice de Belli, local onde ele instalou a primeira salina do estado.
Portanto, Felice de Belli e sua Salina Parahybana integram um conjunto de memórias esquecidas da cidade e da Paraíba, que agora trazemos à tona.
(Foto: Varadouro, em João Pessoa) *Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais. https://www.paraondeir.blog/felice/