Domingo, 17, Janeiro, 2021
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Filme paraibano concorre a prêmio internacional de Direitos Humanos

11, janeiro, 2021

O cinema paraibano está em alta. Depois de ganhar os prêmios de melhor atriz (Ingrid Trigueiro) e melhor roteiro (Eduardo Varandas) no 15º Fest Arudanda, em João Pessoa, o curta-metragem “Cura-me”, que é escrito e dirigido por Varandas, está concorrendo ao prêmio de melhor filme no “Human Rights Film Festival Brazil”.

O filme, traduzido em inglês para “Heal me”  pode ser assistido gratuitamente no sítio do festival: http://www.festinval.com/ . No mesmo site, você pode assistir e votar no seu predileto para ganhar o título. A votação é bem simples e é a oportunidade da organização do Festival ter o feed-back do público.

Segundo a assessoria do filme, a estória é baseada em três casos reais e conta os percalços do jovem e atormentado “Mateus” (Micaell Wouglle) que busca a psicóloga religiosa “Heleonora” (Ingrid Trigueiro) para a suposta cura de sua homossexualidade.

O Festival tem o apoio da ONU, UNESCO, Save the Children e UNAIDS e visa a premiar e divulgar produções audiovisuais que colaborem na luta pela proteção dos direitos humanos. Na edição deste ano, concorrem filmes da Alemanha, Dinamarca, Irã,  Turquia, Canadá, Grécia, Filipinas, Gana, Afestanistão,  e outros países. Além do paraibano “Cura-me”, participa também o filme brasileiro “Jadzia” estrelado pela atriz global Laura Cardoso.

Tema importante e polêmico

“A temática do curta é bem atual, haja vista que, ainda em 2017, fora concedida liminar, pela Justiça Federal, permitindo que psicólogos aplicassem terapias de redefinição sexual, proibidas pelo Conselho Federal de Psicologia. Mesmo cassada a decisão, temos ciência de utilização dessas técnicas por alguns profissionais que sobrepõem a sua religião sobre a ciência e causam grandes danos psíquicos aos pacientes, inclusive o suicídio.”, explicou o diretor do filme, Eduardo Varandas (foto), que também é Procurador no Ministério Público do Trabalho na Paraíba.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil (a faixa etária do personagem do filme). O público LGBT tem seis vezes mais chance de cometer o ato, de acordo com a revista científica americana “Pediatrics”. Ainda para a publicação, o risco de suicídio é 21,5% maior quando LGBTs convivem em ambientes hostis à sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A causa desses altos índices decorre, dentre outros fatores, da autorrejeição, da dificuldade de integração social e de outros traumas sofridos e, nesse ponto, o filme pontua a gravidade das terapias de cura de homossexualidade através de métodos cruéis.

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