quarta-feira, 25 de março de 2026

João Pessoa e seus fundamentos

25, março, 2026

Sérgio Botelho – Estou começando a escrever, a partir de hoje, uma série de textos que busca compreender João Pessoa em seus fundamentos. A cidade passa a ser vista não apenas como paisagem, mas como resultado de escolhas e de caminhos traçados ao longo do tempo.

Fundada em sua parte interior, num ponto estratégico do estuário do Paraíba com o Sanhauá, por exemplo, ela nasceu voltada para a proteção, para a navegação e para o domínio do território. Não foi o mar aberto o que primeiro a definiu, mas o abrigo das águas interiores, de onde se organizou entre a parte alta e a parte baixa.

É dessa base que se pode entender o seu desenvolvimento. Aos poucos, João Pessoa avançou em direção ao litoral e incorporou o mar ao seu cotidiano. Hoje, a cidade apresenta uma configuração que transita entre o colonial e o contemporâneo. O centro histórico guarda igrejas, ruas e edificações que atravessam séculos, enquanto a expansão urbana revela novos limites e uma relação cada vez maior com a orla.

Essa convivência de tempos ajuda a explicar sua vocação turística. De um lado, o turismo de sol e mar, favorecido por praias acessíveis, recifes estratégicos e pela paisagem costeira. De outro, o turismo histórico, que convida a percorrer espaços onde a cidade se formou e ainda se reconhece. Não são caminhos opostos. São experiências que se somam em um cenário que constantemente se revitaliza e se requalifica.

Há ainda um terceiro elemento, que nasce da geografia e dos costumes. A culinária local, marcada por essa relação entre o rio, o manguezal e o mar, amplia essa experiência e reforça a identidade da cidade. Assim, João Pessoa se revela como um lugar de síntese, que a série que inicio pretende explorar, passo a passo, com olhar atento e afetivo.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
https://paraondeir.blog/joao-pessoa-e-fundamentos/