sexta-feira, 31 de julho de 2026

Nicola Maria Parente

31, julho, 2026


Sérgio Botelho – Pegando gancho do texto de ontem, em que citei o personagem Nicola Maria Parente, quebro, hoje, a sequência de abordagens sobre marcos da Rua Direita para falar desse italiano, que viveu entre 1847-1911, com vaga de realce na história do cinema na Paraíba.

Para isso, conto com informações da Brasiliana Fotográfica, projeto vinculado à Biblioteca Nacional, que possui um verbete específico sobre essa figura, que apresentou ao povo parahybano, surpreso e maravilhado, cenas de pessoas e objetos em movimento.

A apresentação, como já disse no texto anterior, ocorreu em 28 de julho de 1897, na edição da Festa das Neves daquele ano, em plena calçada da Rua Nova (atual General Osório), em frente à Photografia Vesúvio, de sua propriedade, por meio de um cinematógrafo.

Nicola Parente chegou ao Brasil, via Porto de Santos, provavelmente em 1865, tendo perdido a esposa na viagem, logo se casando novamente. Em 1871 já estava no Rio de Janeiro e em 1886 já se estabelecera na Parahyba, inicialmente, na Rua da Areia.
Andou por Pedras de Fogo, Goiana (onde fundou a Photographia Italo-Brasileira) e Recife, de onde viajou a Paris, oportunidade em que adquiriu um cinematógrafo, apresentado ao mundo pelos irmãos Lumière em 1895.

Após a Festa das Neves, Nicola fez apresentações em Belém, Fortaleza, Salvador, Campinas, Manaus e Natal, não necessariamente nessa ordem. Todas essas passagens do italiano foram registradas por jornais locais, o que o coloca em diversas histórias do cinema, no Brasil.

Nicola Maria Parente faleceu tragicamente na cidade de Abaeté (atual Abaetetuba), no Pará, onde havia se estabelecido com comércio e fotografia, em meio a uma experiência malsucedida com um novo aparelho gerador de gás oxigênio.

Mais uma, para concluir: além de fotógrafo, Nicola Parente era também dentista, uma acumulação que não era tão incomum até o Século XIX e início do XX. Havia também muitos barbeiros e ao mesmo tempo dentistas, profissão ainda não regulamentada.

(Foto: Nicola Parente, publicada pela Brasiliana Fotográfica)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
https://paraondeir.blog/nicola/