quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O desfecho milionário da dominação holandesa no Brasil

6, agosto, 2026

Sérgio Botelho – A título de introdução vamos relembrar que, no Século XVI, os holandeses viviam de bem com Portugal, mas de mal com a Espanha. Enquanto isso, um dos principais negócios dos Países Baixos era o açúcar, do qual o Brasil Colônia era grande produtor.

A partir de 1580, essa conjuntura mudou, logo que o rei Felipe II, da Espanha, passou a reinar, com o título de Felipe I, sobre Portugal. Então, o tempo fechou para os holandeses, no Brasil, servindo de motivo para que invadissem Salvador, em 1623, onde passaram um ano.

Nessa época, já havia sido criada a Companhia das Índias Ocidentais, financiada por comerciantes holandeses e judeus, prejudicados pela Espanha em seus negócios. A empresa visava dominar o comércio do Atlântico e agir militarmente, se necessário.

Perdida a Bahia, a Companhia das Índias Ocidentais, conhecida pela sigla WIC, voltou os olhos para Pernambuco, estendendo-os à Paraíba, interessada na produção de mais de uma centena de engenhos de açúcar.

A empreitada pernambucana deu certo a partir de Olinda, em 1630, e Paraíba, em 1634. O domínio holandês, que alcançou Maranhão, ao norte, e Sergipe, ao sul, durou até 1654, quando assinaram a rendição, no Recife.

É preciso registrar que o fim da dominação holandesa sobre o Brasil foi também facilitado pelo término do reinado da Espanha sobre Portugal, em 1640, e pelo sucesso da produção holandesa de açúcar nas Antilhas.

O desfecho da história, contudo, somente ocorreu em 06 de agosto de 1661, um sábado, após Portugal e os Países Baixos assinarem a chamada Paz de Haia, finalizando a disputa pelos antigos territórios da chamada Nova Holanda.

Pelo tratado subscrito, Portugal comprometeu-se a pagar elevada indenização, na ordem de quatro milhões de cruzados ou oito milhões de florins. Motivo: gastos realizados pelos holandeses no Brasil, incluídas as das campanhas militares, e propriedades abandonadas com a expulsão.

(Foto: Batalha dos Guararapes, de Victor Meirelles)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
https://paraondeir.blog/haia/