Sérgio Botelho – Escrever para as redes sociais, assim, diariamente e em tempo real, traz a desvantagem de falhas ocasionais, mas também a vantagem da correção de dados e informações, na velocidade de resposta das próprias redes.
Há dois dias escrevi sobre o vereador Manoel Gonçalo de Oliveira, mais conhecido como Manoel Jaburu, que chegou a presidente da Câmara Municipal de João Pessoa e nomeia o Mercado Central, da Avenida Pedro II, onde exerceu o comércio.
Há uma particularidade no seu apelido que nada tem a ver diretamente com postura física ou comportamental do referido homem público, como imaginei. A alcunha entra na sua vida por conta do lugar, que de fato homenageia a ave, onde nasceu e foi criado: o Engenho Jaburu.
A referida empresa agrícola, em Santa Rita, existiu entre os séculos XIX e XX, sendo aludido até a década de 1980. O jornal O Publicador, edição de 5 de fevereiro de 1868, já veiculava anúncio sobre aforamento de terras adjacentes ao Engenho Jaburu. Em 30 de outubro de 1898, o Jaburu, que operava com máquinas a vapor, estava com venda anunciada pelo jornal A União, sob o título de Excelente Negócio. O proprietário era então José Varandas de Carvalho.
O anúncio falava sobre a existência, além de inúmeras fruteiras e três mil pés de coco, de uma “grande” olaria onde se fabricavam tijolos e “louças” de barro. Essa combinação de engenho, com plantações de fruteiras e olaria é um dos traços marcantes do Engenho Jaburu.
Até poucas décadas atrás existia vida comunitária, ali, às margens do Rio Jaburu, afluente do Cabocó, que desagua no Paraíba. Justamente, onde nasceu e se criou Manoel Jaburu. Hoje está tudo em ruína e coberto pela cana de açúcar. (Foto: Anúncio sobre o Engenho Jaburu no O Publicador)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais. https://paraondeir.blog/jaburu/