quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Frevo, o Axé e a Revista Nordeste

24, fevereiro, 2026

Sérgio Botelho* – O número 229 da Revista Nordeste, editada pelo jornalista Walter Santos, atualmente em circulação, firma-se como parte da história da imprensa nordestina, graças à diagramação equilibrada, à coerência editorial e à persistência.
Na edição que circula, destaco na editoria de Cultura um apanhado crítico sobre o Carnaval, onde há uma instigante abordagem sobre o Frevo e o Axé, dois gêneros musicais com genética nordestina. O primeiro, do final do Século XIX ao início do XX, pernambucano, e o outro, mais contemporâneo, baiano.

Não precisa de grandes pesquisas para reconhecer que o Axé ganhou muito mais dimensão nacional – e, até internacional – do que o Frevo, apesar de sua antiguidade. Ritmo mais quente? Nada disso. Quem conhece música e carnaval sabe que não é isso.
A reportagem da Revista Nordeste destaca que a música baiana construiu um modelo eficiente de mercado e divulgação, enquanto o frevo, apesar de sua força histórica e simbólica, enfrenta dificuldades por questões ligadas à estratégia cultural e de comunicação.

O frevo, segundo recupera a matéria assinada por Ana Júlia Silva, especial para a revista, estourou no Carnaval da Bahia em 1951, com o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, do Recife. A partir daí, ganhou sua própria vestimenta musical, com a fubica de Dodô e Osmar, a guitarra e o Trio Elétrico, até chegar o Axé de Luis Caldas, nos anos 1980.
Em João Pessoa, até já falei sobre isso, o frevo também causou uma revolução carnavalesca em 1932, com a famosa Marcha Democrática, rebocando milhares de pessoas desde a Praça João Neiva, em Jaguaribe, até o Cruzeiro de São Francisco, portanto, do final das Trincheiras ao início da Duque de Caxias.

As Muriçocas, na década de 1980, inaugurou a nova folia de rua pessoense sob o signo do frevo. Depois de algumas décadas e dezenas de outros blocos, não resistiu e já apresenta fortes participação do Axé, sob o olhar revoltado de muitos, mas incapazes de impedir que a onda cresça.


*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.

https://paraondeir.blog/frevo-axe-e-a-revista-nordeste/ ‎