Sérgio Botelho* – Sérgio Botelho* – Entre as décadas de 1730 e 1740, governou a Paraíba o português Pedro Monteiro de Macedo, escolhido pela Coroa aos que atenderam chamada pública a interessados no cargo.
Ao morrer, em 1744, o referido governador, ou capitão-mor, o que, à época, significava o mesmo, teria determinado que fosse sepultado no meio da porta principal da igreja do Convento de Santo Antônio, no conjunto franciscano, sob pedra lavrada com brasão de armas e excêntrico epitáfio: “Aqui jaz Pedro Monteiro de Macedo que, por ter governado mal esta Capitania, quer que todos o pisem e a todos pede um Padre Nosso e Ave Maria, pelo amor de Deus”.
A informação consta no livro Datas e Notas para a História da Paraíba, de Irineu Pinto, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, em 1905. Publicada em 1908, a obra é considerada uma das seminais da historiografia paraibana. Já naquele tempo, no entanto, conforme o próprio autor registra em nota de rodapé, a inscrição não mais existia.
A verdade é que Pedro Monteiro de Macedo governou a Paraíba em período extremamente difícil. Enfrentou conflitos intensos com a elite local, ameaças de levantes indígenas na Baía da Traição e disputas com ordens religiosas em torno da exclusividade na conversão dos nativos.
Como pano de fundo, agravando ainda mais a situação, havia a crescente ascendência de Pernambuco sobre a Paraíba. Tanto assim que, apenas doze anos após a morte de Macedo, em 1756, decisão da Coroa portuguesa anexou a capitania à de Pernambuco, situação que perdurou até 1799.
Num contexto tão adverso, como o descrito, Pedro Macedo de Monteiro somente acumulou inimizades. Infelizmente, não há vestígios da referida sepultura, nem da inscrição, na igreja do Convento de Santo Antônio, conforme já verificara, há bem mais de 100 anos, o próprio Irineu Pinto.
Sérgio Botelho é jornalista e escritor
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