quinta-feira, 25 de julho de 2024

O incerto Pavilhão do Chá

4, fevereiro, 2024

Se obedecido o projeto original, o que deveria existir no centro da Praça Venâncio Neiva, inaugurada em 21 de julho de 1917, pelo governador Camilo de Holanda, seria um rink de patinação. Homenageando o primeiro presidente republicano da Paraíba, que governou o estado entre 1889 e 1891, a praça e diversas outras iniciativas de melhoria e ampliação da cidade resultaram do grande volume de recursos gerados, entre os anos 1910 e 1920, pelo algodão e pela cana de açúcar. Sem falar na alta produção de café, que vigorou até a segunda década do Século XX, na região de Bananeiras, e na fascinante ajuda patrocinada pelo presidente da República, Epitácio Pessoa (1919-1922), paraibano de Umbuzeiro.

A praça Venâncio Neiva organizou um espaço, ao lado do Palácio do Governo, de péssima apresentação urbana, praticamente um grande terreno baldio, segundo notícias veiculadas pela imprensa da época. Fazendo correr o tempo, passemos ao governo do presidente João Pessoa (1928-1930), quando o umbuzeirense sobrinho de Epitácio pretendeu dar outra conotação à Praça Venâncio Neiva. Nesse sentido, encomendou projeto para a construção de prédio, em substituição ao conceito do rink de patinação, destinado a um serviço de chá, ao estilo inglês.

Quis o destino, contudo, que a materialização da ideia coubesse ao seu sucessor, Antenor Navarro (1930-1932). Como se sabe, João Pessoa morreu em 26 de julho de 1930 assassinado em Recife. A construção, obedecendo a estilo oriental (com inspiração, certamente, na história da origem chinesa do chá), levou o nome de Pavilhão do Chá que, de lá até hoje, não alcançou uma vocação mais perene. Em 12 de junho de 1933, no governo de Gratuliano de Brito (1932-1934), o pavilhão foi oferecido para arrendamento junto com o Paraíba Hotel.

Na verdade, o objeto de arrendamento era mesmo o hotel. O pavilhão podia ser levado como parte do processo sem que influísse no seu (do hotel) preço. Em 1940, contudo, sua cotação em réis seguia veiculada na imprensa, mas servindo a exposições e efemérides beneficentes. Ao longo do tempo também foi bar, restaurante e sorveteria. Hoje serve apenas de referência à prostituição que de tão duradoura se firma como destino da praça, pois ali existe desde os tempos em que já funcionou alguma coisa, no prédio.

A esperança é de que isso possa ser enfim revertido pelas iniciativas visando redimir o centro histórico de João Pessoa, sob a batuta do governo do estado e da prefeitura da capital. A vitalização do local, especificamente falando, parece estar mais intimamente ligada ao que se fizer fisicamente e ao destino que se der ao magnífico coreto de frente para um dos mais belos pores de sol da capital, do que for providenciado com relação ao prédio da antiga Academia de Comércio, de intervenções na Praça João Pessoa, e de como exercerá suas atividades o futuro museu da Paraíba, a ocupar o imóvel em que, até pouco tempo, e durante séculos, funcionou o poder executivo estadual.