sexta-feira, 4 de abril de 2025

O xadrez me ensinou a vida!

7, março, 2025

A morte do russo Boris Spassky, um dos maiores enxadristas do mundo, e o maior até o surgimento de Bobby Fischer, fez-me relembrar – enchendo os olhos de lágrimas – minha curta – mas satisfatória – trajetória no xadrez.

O meu começo no xadrez aconteceu 6 meses após eu chegar a João Pessoa, oriundo de Patos, com 14 anos e 6 meses.

Lembrei-me, sobretudo, dos meus colegas enxadristas do Colégio Estadual de Jaguaribe: Geraldo Pantera, Hamílton e tantos outros.

Aos 15 anos, em 1972 (ano do famoso mundial em que Fischer desbancou Spassky e o poderio soviético), disseminei o xadrez entre os colegas que moravam na vila dos Motoristas e derredores. Criei a “Liga Enxadrística Bobby Fischer” e saí convencendo muita gente a gostar de xadrez; a alguns até ensinei a jogar.

Dos que jogavam comigo, afora os colegas do Jaguaribe, lembro-me de Expedido (que morava na 12 de outubro), Ivson, Marcelo Souto (se for o mesmo que estou pensando, hoje é um dos maiores nomes do xadrez, na Paraíba).

Todos os citados participavam da liga.

Eu era obcecado por Fischer (apesar de simpatizar mais com a e reconhecer o poderio da União Soviética) e encontrava resistência entre os colegas, porque a maioria dizia que um jogador russo (no caso, Spassky) jamais perderia um mundial.

Eu era tão seguidor de Fischer que adorava a DEFESA SICILIANA (1.e4 c5, na anotação atual e p4bd, na minha época), nas variantes usadas por ele, a ponto de, ao contrário de todos, torcer para jogar com as pretas, o que era, no mínimo, estranho.

Eu era considerado louco, porque até jogando com as brancas às vezes usava a siciliana.

O xadrez me ensinou a vida. Ensinou-me a manter o equilíbrio nas situações mais difíceis; nunca me sentir vencido; ter paciência, persistência, perseverança diante do perigo iminente. Ensinou-me a saber usar, na hora certa, as peças ideais para aquela ocasião. Ora caminhando, vagarosamente, com os peões, ora pulando obstáculos com o cavalo e expor a dama, a peça mais ágil e de melhor número de deslocamentos, apenas na hora de um movimento certeiro.

Ensinou-me, também, a, acuado pelo adversário, não me desesperar diante do perigo e, na hora do maior deles, o xeque, evitar, e, após isso, voltar tudo, recuar, para, enfim, dar o xeque-mate, somente quando o jogo estiver sob meu controle.

O bom jogador de xadrez tem que calcular no mínimo 5 possíveis jogadas futuras do adversário, porque qualquer erro pode ser fatal. Xadrez é o único jogo em que não cabe o azar e o que mais exige atenção; uma desatenção pode ser fatal!

Na vida, também é assim: uma desatenção pode ser fatal! E após o xeque-mate dela não há nova partida.