Sérgio Botelho – Nesta quarta-feira, 30, nosso assunto foi a demolição de um velho sobrado, pertencente ao senador Pedro da Cunha Pedrosa, que existia perpendicularmente à antiga Rua Nova, na época já General Osório.
Por trás do casarão, havia uma área ocupada por casas em posição de desalinhamento com relação à via em expansão. A primeira providência do poder público, então, foi desapropriar os imóveis e, naturalmente, derrubá-los.
A imagem de hoje. do Acervo Humberto Nóbrega, mostra as obras, vendo-se ao fundo a Praça Venâncio Neiva, publicada no trabalho acadêmico A Cidade Alta como Paisagem-Repensando a Conservação do Centro Histórico de João Pessoa, de Rafaela Mabel Silva Guedes.
O responsável pelas providências foi o médico e militar Camilo de Holanda, que governou o estado entre 1916 e 1920. Conjunturalmente avaliando, a Paraíba ainda vivia o período de forte participação de sua economia algodoeira no contexto nacional, com dinheiro em caixa.
No Roteiro Sentimental de uma Cidade, o autor Walfredo Rodriguez nomeia o governo Camilo de Holanda como o que realizou as primeiras obras mais importantes, para a cidade, no Século XX, onde está incluída a expansão da General Osório.
Segundo Rodriguez, após a derrubada do velho sobrado foi feita a ligação da Rua da Medalha (a parte imediatamente atrás do casarão) com a Rua dos Quintais (a área que fica após a atual avenida Guedes Pereira), até a Praça Venâncio Neiva, inaugurada em 1917.
Ai, foi colocada a placa de Rua General Osório na extensão alcançada, de acordo com Walfredo. Corria o ano de 1918, portanto, quando a rua da catedral passou a ter a mesma extensão da contemporânea, na origem da cidade, rua Direita, depois Duque de Caxias.
Assim, da leitura de documentos e livros que se constituem em fontes primárias (já que Walfredo Rodrigues, nascido em 1893, foi testemunha da época) que seguimos conhecendo a evolução urbana da capital da Paraíba.
*Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP.
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