No dia 25 de maio de 1924, A União publicou anúncio da Hamburg Südamerikanische Dampf-schifffahrts Gesellschaft, informando da chegada, em Cabedelo, no dia 22 de junho, do vapor Tenerife. Segundo a propaganda, o vapor “sahirá depois da indispensavel demora, para Ceará, Tutoya, Maranhão, Pará, Lisboa, Leixões, Antuerpia, Rotterdam, Amsterdam e Hamburgo”.
Passagens e fretes deveriam ser buscados na Kroncke, empresa alemã, em João Pessoa, que tanto negociava algodão quanto viagens. Na mesma página de anúncios, a Companhia de Navegação Costeira propagandeava “sahidas de Parahyba para o norte todos os domingos e para o sul todas as sextas-feiras”, salientando que “os vapores são providos de telegraphia sem fio”, a comunicação mais top daquele momento da história, do tipo online e instantânea.
Para o Norte, os destinos eram principalmente Natal, Fortaleza, Maranhão e Belém. Para o Sul, Recife, Bahia, Rio de Janeiro, Santos, Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. De sua parte, a Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro anunciava navios com destino à Inglaterra (Liverpool e Avonmouth), com escalas em Natal, Ceará, Maranhão, Pará, Porto-Praia, S. Vicente, Lisboa, Leixões e Havre.
Outra linha para o Sul atingia Recife, Maceió, Bahia, Vitória e Rio de Janeiro. (Segundo cálculo que fiz, decorrente do anúncio, uma viagem para o Rio, em virtude das paradas, demorava 6 dias, sempre com a costa à vista). Também um “rápido e luxuoso paquete” da Lloyd fazia regularmente a linha Motevidéu-Pará, com parada em Cabedelo.
Duas constatações: primeiro, a de que, na década de 1920 (aliás, desde 1917, com um cais de 178 metros e 1 armazém), o Porto de Cabedelo, que somente seria oficialmente inaugurado em 1935, já atuava com regularidade, mesmo que, precariamente; segundo, que a Paraíba, desde o início do Século XX, apresentava boas possibilidades de viagem para cima e para baixo, no país, e para o Exterior. Esses anúncios evidenciam a integração do estado às rotas comerciais e de transporte marítimo, com acesso ao mundo inteiro.
Foto de 1932, do Porto de Cabedelo, mostrando um vapor ancorado.