quinta-feira, 3 de abril de 2025

Pegar a sopa

25, março, 2025

Nesses dias, em meio a minhas pesquisas, encontrei um anúncio, digamos, oficial, publicado no A União, sobre o antigo Hotel Luso Brasileiro, na Praça Álvaro Machado, no Varadouro – hoje em avançado estado de arruinamento. A praça tinha posição altamente estratégica, especialmente até a década de 1930, período em que essa casa de hóspedes viveu seus dias de maior brilho, em João Pessoa, antes de entrar em declínio e fechar as portas.

A Praça Álvaro Machado era ponto de parada dos ônibus que vinham do interior ou iam para lá, e até para outros estados. Originalmente, ficava também em frente à antiga estação ferroviária – que depois foi construída no local onde hoje funciona, em frente à Praça Napoleão Laureano – e, também, ao Porto do Varadouro.

O anúncio, lógico, fazia questão de ressaltar essa posição estratégica do hotel: em frente à estação da Great Western. Além disso, destacava a outra particularidade favorável: a “parada de todas as sopas (sic) do interior e Recife”. Que curiosidade interessante!

Sempre soube que sopa, para nós, significava ônibus, mas nunca havia encontrado anúncio tão explícito sobre isso, especialmente em um comunicado comercial publicado na imprensa, o que demonstra a normalização desse conceito consagrado.

De onde vem essa denominação? Sem muito esforço, é fácil comparar um ônibus lotado a uma sopa, onde, em vez de ingredientes, há pessoas de diferentes tipos, lugares, costumes e cheiros. Tal como uma panela de sopa, um ônibus também é um espaço apertado, abafado e quente.

Como o povo sempre foi rápido em estabelecer comparações com as vivências diárias, uma denominação criativa facilmente se transforma em apelido consagrado. Portanto, aqui vai uma dica para as novas gerações: quando ouvirem “lá vem a sopa”, saibam que pode não ser exatamente o tradicional prato de comida, mas apenas um ônibus.

Na foto, ruínas do Hotel Luso Brasileiro, na Praça Álvaro Machado.