Sem dúvida, o verdadeiro técnico da vitoriosa seleção tricampeã foi João Saldanha, que a preparou, tática e tecnicamente; deu personalidade ao time e o organizou, de forma impecável. Dizem as más línguas que Zagallo era apenas um “entregador de camisa”. Não chego a tanto, mas que Zagallo recebeu os louros, sem merecer, isso é verdade.
Trajetória da seleção com Saldanha:
João Saldanha comandou a seleção brasileira entre janeiro de 1969 e março de 1970, classificando o time com 100% de aproveitamento para a Copa de 1970 e montando a base tricampeã (“As Feras do Saldanha”). Jornalista e comunista, foi demitido antes do mundial, por conflitos políticos e pressão da ditadura, sendo substituído por Zagallo.
Principais conquistas de “João sem medo”: Classificou o Brasil para a Copa de 1970 com 6 vitórias em 6 jogos, nas eliminatórias. Criou e popularizou a expressão “As feras do Saldanha”, para definir a base titular, que incluía nomes como Pelé, Carlos Alberto, Gérson, Tostão e Jairzinho.
Ditadura militar e complô contra o técnico
Saldanha era, sem dúvida, o melhor treinador do Brasil na época. A ditadura militar, por sua vez, na época mais braba (tempos de Médici), praticando muitas atrocidades, torturas e escondendo da população a realidade do país, precisava, mais do que nunca, daquele tricampeonato, para ganhar a confiança do povo. Viu-se sem saída: era o jeito chamar para ser treinador o comunista convicto e praticante João Saldanha.
Estava claro que aquilo não iria dar certo e, quando a seleção garantisse a classificação para a Copa (não fora campeã em 1966 e teve que disputar as eliminatórias), os militares-ditadores arranjariam um jeito de destituir o consagrado comentarista esportivo e técnico.
A princípio, uma investida do próprio presidente Médici que queria porque queria a presença do centroavante Dario (Dadá Maravilha) na seleção. Saldanha, bem ao estilo dele, mandou seco e duro recado: “O presidente escala o Ministério dele; quem escala o meu tome sou”.
Apesar disso, Saldanha continuou no comando, até que a ditadura fez a armação final, conforme foi amplamente divulgado; sobretudo em biografias do grande e verdadeiro técnico do tri: numa trama, segundo dizem a imprensa e os biógrafos de Saldanha, embora nunca tenha sido provado, a ditadura combinou com o Médico da seleção, Lídio Toledo, para dizer que Pelé estava míope.
Evidentemente, apesar de ser o major jogador do mundo, Pelé, com aquele problema, não teria condições de atuar na Copa.
Resultado: ao saber desse fato, Saldanha colocou Pelé na reserva, gerando, obviamente, revolta dos torcedores em todo o brasil.
Depois se constatou que, propositadamente, o alarme tinha sido falso.
Era a gota d’água e o pretexto que a ditadura queria: demitiu Saldanha, às vésperas da Copa; e convocou Zagallo, que se tornou tricampeão, às custas do Alicerce preparado por Saldanha.
Para justificar sua convocação, Zagallo mudou o esquema de jogar (escalou o escrete em 4-3-3; com Saldanha era, preferencialmente, 4-2-4), trocou algumas peças de lugar e ganhou a Copa como um time que, além de só ter craque, estava perfeitamente entrosado, graças a Saldanha.
Oportunamente, voltaremos ao assunto, com mais detalhes.