Sérgio Botelho – 26 de maio celebra o Dia Nacional do Sanfoneiro. E não por acaso, pois foi em 26 de maio de 1930 que Itabaiana, na Paraíba, viu nascer Severino Dias de Oliveira, internacionalmente conhecido como Sivuca, uma das maiores virtuoses da sanfona em todo o mundo. Em qualquer ritmo, palco ou idioma da plateia, o paraibano brilhava.
Unindo recursos vocais ao instrumento por muitos músicos tido como limitado, Sivuca operava milagres musicais no campo do jazz. “Finalmente encontrei alguém que me fizesse fazer as pazes com esse maldito instrumento, o acordeom”, escreveu o trompetista Mille Davis, considerado um dos maiores músicos da história do jazz.
O jornal The New York Times costumava se referir a Sivuca ressaltando seu virtuosismo instrumental. A revista Billboard frequentemente elogiava a sofisticação dos arranjos de Sivuca. Jornais franceses e escandinavos destacavam nele a originalidade de levar a sanfona para o centro de improvisações complexas.
Talvez muita gente não saiba, mas foi de Sivuca o arranjo de “Pata Pata”, da sul-africana Miriam Makeba, na década de 1960, ajudando a transformar a composição em um fenômeno internacional. Ele uniu ritmos originais africanos à música brasileira, tocando também o violão e a guitarra na gravação. No disco de Makeba, ele ainda inseriu seu primeiro maior sucesso, Adeus Maria Fulô, dele e de Humberto Teixeira, com a voz da própria artista.
E como se não bastasse, ele é também autor de melodias como a de João e Maria, com letra de Chico Buarque, a de Feira de Mangaio, com letra da esposa, Glorinha Gadelha, e a de No Tempo dos Pardais, com letra de Paulinho Tapajós. Todas inscritas no campo das criações musicais sublimes, de todos os tempos.
E o melhor de tudo é que a Paraíba é a terra de Sivuca! (Foto: Sivuca)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a
Paraíba, com veiculação nas redes sociais. https://www.paraondeir.blog/o-paraibano-sivuca/