domingo, 22 de fevereiro de 2026

Um cassino que nunca foi dedicado a jogo

22, fevereiro, 2026

Sérgio Botelho* – O capítulo Cassino da Lagoa está inscrito entre os textos do meu segundo livro “João Pessoa – Uma Viagem Sentimental”. Mas não custa retomá-lo, a título de explorar um pouco a sua denominação.

Logo de início, é preciso dizer que aquele Cassino, hoje funcionando como restaurante da iniciativa privada, já desempenhou diversas funções em João Pessoa, exceto a de casa de jogos, como geralmente se entende.

É que o termo também possui outra conotação. Em muitas ocasiões, designa uma casa de convivência, um clube elegante destinado a bailes, concertos, saraus e encontros sociais.

Num contexto mais restrito, por exemplo, muitos quartéis das Forças Armadas no Brasil possuem seus Cassinos, onde militares, sobretudo oficiais, fazem refeições e encontram um espaço de socialização.

Foi justamente como centro social e recreativo que surgiu o Cassino de Verão, primeiro nome do equipamento inaugurado no final da década de 1930, no Parque Solon de Lucena, local que concentrava grande atenção do poder público à época.

O Cassino, como a população costuma chamar, viveu na sua primeira fase, especialmente nos anos 1940, como ambiente para dança de salão, com direito a bar e acesso aberto ao público.

Entre as décadas de 1950 e 1960, o Cassino tornou-se tribuna privilegiada para grandes comícios na cidade, com destaque para os períodos de campanhas eleitorais.
Ainda nos anos 1960, o Cassino passou a servir como restaurante universitário, quando as faculdades estavam espalhadas por diversos pontos do Centro de João Pessoa e até pelo bairro de Jaguaribe.

O fim do Cassino enquanto restaurante universitário coincidiu com a construção do Campus Universitário, instalado na antiga Granja São Rafael, que passou a contar com prédio exclusivo para refeições dos estudantes.

Forjado em concreto armado, o Cassino da Lagoa atravessa os tempos como edificação marcante da cidade, situado em um dos cenários mais belos de João Pessoa.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor