São três os rios mais importantes da capital paraibana: o Sanhauá (berço da cidade), o Gramame e o Jaguaribe (que atravessa a urbe de sul a norte). Dos três, o mais intensamente urbano é o último, que, por isso, padece um bocado ao receber elementos poluidores durante todo o caminho. Ele serpenteia por entre dezenas de bairros e comunidades adjacentes, desde as proximidades das Três Lagoas, junto à BR-230, até o manguezal do Rio Mandacarú quando, então, juntos, encorpam o Rio Paraíba, no rumo da foz, entre Lucena e Cabedelo.
Mas nem sempre foi assim. Até a década de 1920, o rio seguia no sentido do Bessa e desaguava diretamente no oceano, quando então teve o seu traçado corrigido. Em 2023, ao homenagear os 90 anos do prestigiado médico paraibano Genival Veloso de França, o geógrafo, professor aposentado da UFPB e membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, Modesto Siebra Coelho, abordou o bairro de Jaguaribe – local de nascimento de Genival Veloso – e, naturalmente, incluiu o Rio Jaguaribe entre as lembranças.
Em um trecho do artigo, publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero, lembrou que “já não se considera mais rio o antigo leito que se estende do Retão de Manaíra ao Jardim América-Intermares, hoje transformado em canal que, ora recoberto, ora a céu aberto, vai desaguar em pequena lagoa a metros do contato com o mar, formada pelo barramento da embocadura, em razão da ação das marés e dos ventos que aí comandam, temporária ou permanentemente, a acumulação e elevação de depósitos de areia, formando amplo maceió.”
Modesto, que também participa ativamente do Grupo Mirabeau Dias de Estudos e Debates – do qual Genival Veloso é fundador – passa a falar sobre o pedaço apartado do rio Jaguaribe, com extensão de 5,5 quilômetros, entre o Retão de Manaíra e o Jardim América, no Bessa. Essa parte antiga e natural do Jaguaribe configura um rio morto, estagnado – mas incomodando em diversos pontos, como no maceió já referido, aflição constante da Associação dos Ambientalistas e Moradores do Jardim Oceania (AMJO).
O poluído maceió do Bessa, em fotograma de vídeo no site de notícias PB Agora.