quinta-feira, 3 de abril de 2025

Uma final que ficou para a História

28, março, 2025

O ano era 1966. O Flamengo fora campeão carioca de 1965, enfrentando, na final, o Bangu, contra o qual agora disputava, novamente, o título. Tentava, portanto, o bicampeonato.

O time rubro-negro entrou em campo com vários problemas. Um deles, o mais preocupante até então, era que o ponta-direita Carlos Alberto, apesar de contundido e não totalmente recuperado, insistia em jogar; foram inúteis as tentativas de demovê-lo da ideia e ele acabou jogando.

Mas o maior problema mesmo, segundo o atacante Almir, que terminou sendo o grande protagonista da partida e a razão maior da historicidade dela, estava no goleiro do Flamengo, Valdomiro, e no árbitro da partida: Aírton Vieira de Morais (Sansão). Almir desconfiava, de acordo com ele próprio, em depoimento gravado para a Biblioteca Esportiva Placar e transcrito no livro “Eu e o Futebol”, de que ambos estavam comprados. Sansão, aliás, ameaçou expulsar Almir, antes mesmo de o jogo começar.

Resumo da partida (baseio-me no depoimento de Almir):

No primeiro lance do jogo, o lateral esquerdo do Bangu, Ari Clemente, atingiu, violentamente, Carlos Alberto (Sansão não deu falta e sequer advertiu o jogador alvi-rubro). O Flamengo passou praticamente a jogar com 10 homens, porque o ponta direita da equipe passou a se arrastar em campo (naquela época, só era permitida substituição de goleiro). O Flamengo levou dois gols em três minutos. E o Bangu continuava batendo: Nelsinho, o grande meiocampista do Flamengo, foi atingido em cheio e passou o restante da partida capengando.

No segundo tempo, o Flamengo leva outro gol, logo aos três minutos: Bangu 3 x 0.

A confusão maior foi quando Ladeira, atacante do Bangu, deu um soco na cara de Paulo Henrique. Logo Paulo Henrique, que era um lateral esquerdo clássico, não violento, educado e era tido como um dos jogadores mais tranquilos do time…

Aí, o tempo fechou! Almir correu para acertar Ladeira, que fugiu. Não conseguiu, no entanto, fugir do zagueiro Itamar, que meteu o pé no peito de Ladeira. Almir completou a agressão, chutando o banguense; Nisso, Ari Clemente (aquele mesmo, que tinha agredido Carlos Alberto) deu um soco em Almir.

Almir, de temperamento forte, enfrentou praticamente todo o time do Bangu, distribuindo socos e pontapés. Foi expulso, mas quando ia saindo ouviu alguém dizer: – Volta, Almir; acaba com essa palhaçada!

As torcidas (das duas equipes) começaram a gritar: “Porrada, porrada, porrada!”.

Resultado:

O árbitro expulsou cinco jogadores do Flamengo e quatro do Bangu e o rubro-negro ficou sem jogadores para terminar a partida (o mínimo é sete).