segunda-feira, 27 de julho de 2026

Uma via com três nomes

27, julho, 2026

Sérgio Botelho – Ao longo da evolução urbana da atual cidade de João Pessoa, a Rua Duque de Caxias, batizada com esse nome no início da década de 1880, teve, ao mesmo tempo, três nomes.

Esses nomes se inspiravam na própria morfologia ou, ainda, na existência de prédios notórios e logradouros, no percurso. Entre o conjunto franciscano e o jesuítico, havia a Rua Direita, a Rua da Baixa e Rua do Colégio.
A Rua Direita propriamente dita era a parte que ia do conjunto franciscano até a Igreja da Misericórdia. Representava um trajeto maior e mais importante, do ponto de vista da cidade, com mais residências e serviços públicos, como o do Largo da Câmara, depois do Erário.

Por sua vez, a Rua da Baixa tinha relação com um declive existente, o que ainda hoje pode ser claramente observado na parte da Duque de Caxias que fica entre a Igreja da Misericórdia e o Ponto de Cem Reis. Mais antigamente também havia um riacho na área.

A partir do Século XVIII, com a construção da Igreja do Rosário dos Pretos, justamente à altura do já citado Ponto de Cem Reis, a Rua da Baixa passou a ter dois referenciais religiosos, portanto: Misericórdia e Rosário.

Enfim, a Rua São Gonçalo, mas também Rua do Colégio, correspondia ao trecho que ficava entre a Igreja do Rosário e o antigo Colégio dos Jesuítas, que tinha como vizinhos colados o convento da ordem e a Igreja de São Gonçalo.

O convento da ordem dos Jesuítas, desde o Século XVIII, virou Palácio do Governo, hoje, Museu da História da Paraíba. O prédio do colégio abrigou, na sequência, o Lyceu Paraibano e a Faculdade de Direito, entre os Séculos XIX e XX, estando atualmente sem função.

As Igrejas do Rosário (na foto) e de São Gonçalo foram derrubadas na década de 1920.


(Foto, melhorada por IA, mostra a parte final do que foi a Rua da Baixa, vendo-se, ainda, o início da Rua do Colégio)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista
https://paraondeir.blog/tres-ruas/