Eleição de José Lins do Rego para a Academia Brasileira de Letras
15, setembro, 2026
Sérgio Botelho – Em 15 de setembro de 1955, aos 54 anos, com todos os seus romances já publicados e prêmios em vida já conquistados, o escritor paraibano José Lins do Rego foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Presidia a ABL o carioca Rodrigo Otávio de Langgaard Meneses Filho, advogado, poeta, crítico literário, ensaísta e orador, cujo pai havia sido um dos fundadores da Academia, em julho de 1897 (quase 60 anos após o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro).
Segundo o Correio da Manhã, do Rio, na edição de 16 de setembro de 1955, o romancista obteve 22 votos, contra 12 de seu principal adversário, Waldemar Berardinelli, e 2 de Ernani Lopes, ambos médicos (Berardinelli era da Academia Nacional de Medicina).
Haveria outro possível candidato, no caso, o jornalista, biógrafo e teatrólogo cearense, Raimundo Magalhães Junior, que desistiu e se tornou um dos principais defensores da candidatura de José Lins do Rego.
Magalhães Junior seria eleito para a ABL menos de um ano depois, em 9 de agosto de 1956. Curiosamente, tomou posse na Academia em 6 de novembro de 1956. José Lins somente seria empossado em 15 de dezembro de 1956.
O motivo para a diferença de 15 meses entre eleição e posse do paraibano foi uma viagem dele à Europa, nesse período, apesar da saúde debilitada. Anteriormente, em parte da campanha para a ABL, José Lins viajara a Israel.
As duas excursões renderam dois livros, dos últimos de José Lins do Rego: Roteiro de Israel, de 1955, e Gregos e Troianos, de 1957 (a Grécia ele visitou tanto na primeira viagem quanto na última).
O escritor somente ocupou a Cadeira 25, conquistada naquele 15 de setembro de 1955, por 9 meses. Vítima de uma hepatopatia, fruto de uma esquistossomose, segundo fontes, adquirida na infância, ele faleceu em 12 de setembro de 1957.
(Foto: José Lins do Rego, do site da Academia)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP.